RISCO-BRASIL ATRAI INVESTIMENTOS EXTERNOS
Dias atrás dediquei um editorial para explicar o importante papel dos medidores de RISCO-PAÍS, com maior destaque para o CDS (Credit Default Swap), onde o RISCO-BRASIL vem mostrando queda sistemática. A propósito, hoje, 30/7, a cotação -5 YEAR- está em 124,2 pontos.
Como não há a menor possibilidade de manipulação dos CDS, a lógica que se impõe é de que quanto menor a TAXA DE RISCO-PAÍS maior o interesse dos investidores.
PRODUTIVIDADE
Mesmo admitindo que o Brasil esteja dando clara demonstração de que cansou de ser o eterno -PAÍS DO PASSADO-, o fato é que a abertura do caminho para um FUTURO PROMISSOR vai exigir muito esforço e forte determinação.
Para tanto, além das importantes REFORMAS, o esperado -FUTURO PROMISSOR- depende de um decisivo aumento da TAXA DE PRODUTIVIDADE. Como relata Tatiana Palermo, na sua coluna na Gazeta do Povo, os economistas Joyce Chang, do banco J.P. Morgan, e Santiago Levy, da Brookings Institution, veem a PRODUTIVIDADE como razão da grande tragédia da América Latina.
PIB PER CAPITA
Segundo Santiago Levy, enquanto a evolução do PIB per capita, das ECONOMIAS DESENVOLVIDAS, com base nos dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cresceu 2,5% ao ano no período DE 1960 a 2018, a AMÉRICA LATINA avançou apenas 1,8% ao ano, bem abaixo das economias emergentes da Ásia, cujo crescimento anual foi de 4,4%.
FATORES QUE INFLUENCIAM A EVOLUÇÃO DO PIB
Levy mostra que os fatores que influenciam a evolução do PIB per capita são a PRODUTIVIDADE , OS BENS DE CAPITAL E A MÃO DE OBRA (incluindo a formação). Em termos de capital e de mão de obra, os investimentos dos países latino-americanos nesse período de quase 60 anos foram maiores do que nos países desenvolvidos: representando um crescimento de 0,3% ao ano para os bens de capital e de 1,5% ao ano para a mão de obra (comparando com 0,1% e 1,1%, respectivamente, no caso dos países ricos). Já as economias emergentes da Ásia investiram mais: o crescimento anual dos investimentos em bens capital foi de 0,6%, e em mão de obra, 1,7%.
DISFUNÇÕES SOCIAIS
O problema de baixa produtividade na América Latin, segundo Levy, tem como pano de fundo as DISFUNÇÕES SOCIAIS. E o mais problemático é o mercado de trabalho, que é pouco dinâmico. A maior parte das empresas são de pequeno porte, onde pouquíssimas contam com mais de 50 empregados. Uma grande parcela do mercado de trabalho é composta por profissionais autônomos ou microempreendedores individuais. Muitos, na informalidade.
HERANÇA HISTÓRICA
- Melhorar o sistema educacional é importante . Isto, no entanto, não resolve o problema da produtividade. Não adianta produzir mais e melhores engenheiros, desenvolvedores, especialistas em TI etc., se não houver grandes e inovadoras empresas para esses especialistas altamente qualificados trabalharem.
Qual seria a saída? Em paralelo às políticas macroeconômicas, olhar mais para as disfunções sociais. Mas como fazer isso se muitas questões fazem parte da nossa cultura? As amplas políticas sociais e uma grande participação do Estado na economia são enraizadas na sociedade como herança histórica e cultural europeia. A falácia da proteção da mão de obra – representada por leis sem sentido como, por exemplo, a que proíbe postos de gasolina “self service” no Brasil – está arraigada na nossa cultura e é muito difícil de ser revertida."
ATENÇÕES VOLTADAS PARA AS REFORMAS
Dentro de poucos dias, quando o mês de agosto inicia, as atenções de quem quer um Brasil melhor se voltam novamente para o Legislativo -Câmara dos Deputados e Senado-, onde tramitam as REFORMAS necessárias para destravar a petrificada economia do nosso país.
A propósito, o que mais espero é que o AGOSTO DE 2019 não seja um MÊS DE DESGOSTO!
REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a tramitação da decantada REFORMA DA PREVIDÊNCIA será retomada no dia 6 de agosto, com a expectativa de que a votação, em 2º turno, aconteça ainda na primeira quinzena. A seguir, se tudo der certo, a PEC vai para o Senado, onde deve percorrer o seu último calvário.
ENDIVIDAMENTO PÚBLICO ACIMA DE 80% DO PIB
Vale repetir, exaustivamente, que a REFORMA DA PREVIDÊNCIA tem como propósito dar um fôlego no enfrentamento do crônico DÉFICIT DAS CONTAS PÚBLICAS, onde o astronômico peso da FOLHA DOS APOSENTADOS (públicos e privados) contribui fortemente para endividamento do Tesouro Nacional, que já passa de 80% do PIB.
GOVERNO E INCIATIVA PRIVADA
Pois, da mesma forma como a REFORMA DA PREVIDÊNCIA é importante para uma boa GESTÃO DE GOVERNO, a REFORMA TRIBUTÁRIA, assim como a MP 881, DA LIBERDADE ECONÔMICA, que precisam da aprovação da Câmara e Senado, são IMPRESCINDÍVEIS para fazer com que a INICIATIVA PRIVADA consiga, enfim, ligar os motores que propulsionam o tão esperado CRESCIMENTO ECONÔMICO.
MP 881 TEM 106 DIAS DE PRAZO
Como as MPs têm prazo de validade de 120 dias, a MP 881, da LIBERDADE ECONÔMICA, vence no dia 10 de setembro. Detalhe absurdo: como o período de 14 dias de férias dos parlamentares não é acrescido, esta importante MP tem prazo menor, ou seja, 106 dias.
VOTAÇÃO NA SEGUNDA SEMANA DE AGOSTO
Ainda assim, o deputado Jerônimo Goergen, relator da MP da Liberdade Econômica, prevê a votação no plenário da Câmara na segunda semana de agosto, tão logo superado o segundo turno da REFORMA DA PREVIDÊNCIA no retorno do recesso, que acontece, se Deus quiser, na próxima semana. Oxalá!
Sem Título
RISCO-PAÍS
Ontem, minutos depois que enviei ao pensador Gelson Castellan a cotação do CDS (Credit Default Swap), instrumento mundialmente preferido pelos agentes do mercado financeiro como forma de medição do RISCO PAÍS, ele retornou dizendo: - -esse dado deveria ser melhor divulgado, para que mais pessoas pudessem ter parâmetros para comparar-.
Então, vamos nessa.
TODOS OS PAÍSES TÊM DÍVIDA
Antes de tudo, portanto, é preciso ter em mente que TODOS OS PAÍSES têm dívida. Uns mais, outros menos, mas o fato é que isto só acontece porque, em geral, os governos gastam mais do que arrecadam. E, por consequência, precisam se financiar através da emissão de títulos públicos.
Como toda dívida precisa ser paga até o vencimento, ou rolada para um novo prazo futuro, como bem refere o economista Vinicius Alves em estudo publicado em 2018, a capacidade de ADIMPLÊNCIA de cada país é medida, mundialmente, pelos agentes financeiros, indicadores que atestam, numericamente, o RISCO-PAÍS.
INDICADORES DE VISUALIZAÇÃO ON-LINE
Para medir o -RISCO-PAÍS-, além dos relatórios produzidos pelas conhecidas -Agências de Classificação de Risco (RATING), as duas mais conhecidas formas de mensuração numérica, por ser -EM TEMPO REAL- (on-line), são:
o -CDS- (Credit Default Swap)- e
o EMBI+ (Emerging Market Bond Index Plus).
CDS
O mais conhecido e, portanto, aquele que têm maior preferência do mercado, é o CDS – Credit Default Swap – (swap de crédito contra um calote). De forma simples, o CDS é um tipo de -SEGURO- QUE REMUNERA O DETENTOR do título quando o país dá calote. O detentor do CDS está buscando proteção contra o calote da dívida do país.
Exemplo: se um investidor compra proteção contra um evento de crédito para US$ 100 milhões em ativos soberanos brasileiros por 5 ANOS (CDS 5Y do Brasil), com prêmio anual de 200 pontos-base, fará pagamentos periódicos de US$ 2 milhões ao vendedor da proteção.
Isso significa que QUANTO MAIOR O RISCO DE UM PAÍS DAR CALOTE, mais caro as pessoas aceitam pagar por um SEGURO contra esse RISCO. Ou seja, quanto maior o preço do CDS, maior o RISCO-PAÍS.
EMBI+
O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), por sua vez, também muito utilizado no mercado financeiro, é calculado pelo banco de investimentos JP Morgan.
O EMBI+, no entanto, é diferente do CDS. O índice expõe a diferença entre os PRÊMIOS pagos pelos TÍTULOS BRASILEIROS em relação aos TÍTULOS AMERICANOS, tidos como os mais seguros do mundo.
Por serem os mais seguros do mundo, os títulos americanos sempre pagarão um MENOR PRÊMIO DE RISCO.
A lógica é que cada 100 pontos do EMBI+ representam o pagamento de 1% de juros dos títulos brasileiros a mais que os títulos dos Estados Unidos.
Exemplo: imagine que os títulos americanos tenham uma taxa de 3% e os títulos brasileiros de mesmo prazo oferecem uma taxa de 6%. O RISCO-PAÍS, ou RISCO-BRASIL será de 300 pontos ou de 3% (6% – 3%).
CDS 5 YEARS
Pois, o RISCO-BRASIL, medido pelo CDS -5 YEARS-, que no início de 2019, quando o governo Bolsonaro assumiu o país, registrava 187,1 pontos base, hoje, 26/7 está cotado 123,9 pb. Uma boa evolução de melhora, na ordem de 27,3%. Mais: de SETEMBRO/2018, quando a cotação era 307,2, até hoje, a melhora foi de 41,78%.
Detalhe: em 2008, quando o Brasil recebeu o selo de Investment Grade, a pontuação do CDS- era de 200 pb.
Comparando com outros países, vejam, por exemplo o seguinte quadro:
Itália: 153,60 pb
Turquia: 344,7 pb
Argentina: 956,63 pb
Venezuela: 72.150,20 pb
DESINFORMAÇÃO
Confesso que ao longo desses meus 33 anos de atividade na área da comunicação, passando por jornais, emissoras de rádio e televisão e internet, em nenhum momento vi tamanha DESINFORMAÇÃO, ou FALTA DE COMPROMISSO COM A VERDADE, como nesses últimos anos, mais precisamente depois do impeachment da danosa Dilma Neocomunista Rousseff.
TEMPERO IDEOLÓGICO
Mais: além de forte DISTORÇÃO dos fatos, não é raro VER, LER E/OU OUVIR notícias -EDITADAS- com forte tempero IDEOLÓGICO SOCIALISTA, nutrido com muito interesse nos MEIOS ACADÊMICOS que formam os profissionais que atuam nas redações e centrais de jornalismo dos veículos de comunicação, em geral.
DIGITAIS SOCIALISTAS
Se, por um bom tempo, quem fizesse tal afirmação era considerado como -DESCONTENTE COM A REALIDADE-, ou sofria da SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO, hoje, graças principalmente, às poderosas -REDES SOCIAIS-, os meios de comunicação não conseguem esconder as -DIGITAIS SOCIALISTAS- que deixam espalhadas nas inúmeras reportagens feitas e nas opiniões manifestadas.
84,5% DOS PROFESSORES BRASILEIROS PREFEREM A ESQUERDA
A propósito, é sempre bom lembrar o que aponta a seguinte pesquisa feita, em 2018, pelos educadores Caroline Pacievtch, da UFRGS, e Luiz Fernando Cerri, da UEPG:
84,5% dos professores brasileiros DISSERAM preferir SIGLAS DE ESQUERDA;
15,5% preferem SIGLAS DE CENTRO, CENTRO DIREITA E DIREITA.
AMÉRICA LATINA
Enquanto isso, na Argentina e no Paraguai, o índice dos professores que preferem a centro-esquerda ou a esquerda chega a 46,83%. E, pasmem, no Uruguai o índice de preferência -clara e aberta- pelo SOCIALISMO é de 100%. Que tal?
PROFESSORES DE COMUNICAÇÃO
Isto, no entanto, não acontece apenas no ambiente latino. Nos EUA, como revela a pesquisa feita por Mitchel Langbert - da National Association os Shoolars, em 2018, dos 5516 professores das 51 melhores universidades americanas, o número de professores de esquerda (Democratas) para cada professor de direita (Republicanos), na área da COMUNICAÇÃO, é de 108 para ZERO.
Detalhe: na SOCIOLOGIA a relação cai para 43,8; e na FILOSOFIA, 17,5.
RESUMO
EM SÍNTESE: da mesma forma como lá, nos EUA, a maioria dos meios de comunicação destila farto e constante ÓDIO contra o presidente Donald Trump, aqui, no nosso empobrecido Brasil, acontece o mesmo em relação ao presidente Jair Bolsonaro. Ambas as pesquisas atestam as razões para tanto!
PASSO IMPORTANTE
Ontem, com a conclusão da OFERTA DE VENDA de 30% das ações ordinárias (follow-on), a BR Distribuidora deixou de ser uma EMPRESA ESTATAL para se transformar, enfim, numa EMPRESA PRIVADA. Com isso, o governo Bolsonaro deu mais um importante passo no sentido de colocar o Brasil no BOM CAMINHO que leva ao tão esperado desenvolvimento.
VERTICALIZAÇÃO
Ao se desfazer do CONTROLE ACIONÁRIO da BR DISTRIBUIDORA, a Petrobrás deu início ao desmonte da VERTICALIZAÇÃO de suas atividades, etapas até então voltadas para o todo -EXPLORAÇÃO, REFINO E DISTRIBUIÇÃO-.
Entretanto, considerando que a Petrobrás segue dona de 41,25% das ações ordinárias (direito a voto), enquanto for proprietária desta posição o peso da estatal segue carregado de importância nas assembleias de acionistas.
CONCORRÊNCIA
Ainda assim, o mais importante é que a DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS deixou de ser uma atividade da estatal empresa-mãe. E, da mesma forma, por tudo que já foi noticiado, em breve a Petrobrás também vai se livrar de boa parte das empresas de REFINO, o que levará o povo brasileiro a desfrutar de uma saudável -CONCORRÊNCIA-.
BOM COMEÇO
Mesmo que qualquer brasileiro dotado de uma ponta de DISCERNIMENTO entenda que o melhor mesmo para o nosso empobrecido país é PRIVATIZAR A PETROBRÁS e, por consequência, todas as suas SUBSIDIÁRIAS, tudo leva a crer que por um bom tempo a EXPLORAÇÃO E A PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS ainda seguirão nas mãos do Estado. Uma pena, mas ainda assim a privatização das subsidiárias é um bom começo.
REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Mudando de assunto, nesta manhã ouvi atentamente, na rádio CBN, a entrevista concedida pelo notável secretário da Previdência e do Trabalho, Rogério Marinho, a respeito da PEC da REFORMA DA PREVIDÊNCIA que foi aprovada em primeiro turno pelo deputados.
Mesmo admitindo que o texto aprovado é "extremamente vigoroso", Marinho, com absoluta razão, lamentou a visão curta dos deputados quanto à idade mínima para aposentadoria, conforme a expectativa de vida da população.
NOVA REFORMA DAQUI A 10 OU 20 ANOS
Mais: a mutilação que o texto sofreu, independente da ECONOMIA DO ROMBO PREVIDENCIÁRIO, de pouco mais de R$ 900 bilhões ao longo dos próximos dez anos, Rogério Marinho afirmou (eu assino embaixo, sem restrição) que daqui a 10 ou 20 anos o Brasil precisará de uma NOVA REFORMA DA PREVIDÊNCIA.
AÇÃO POPULAR CONTRA O GOVERNO E A FAVOR DOS GAÚCHOS
Recentemente (12/7), o pensador Mateus Bandeira protocolou uma -AÇÃO POPULAR- pedindo a suspensão de venda das -ações ordinárias- (com direito a voto) que EXCEDEM o CONTROLE ACIONÁRIO DO BANRISUL.
ATENÇÃO: - Antes de tudo é importante esclarecer que Mateus Bandeira, que já presidiu a instituição, é e sempre foi a favor da PRIVATIZAÇÃO DO BANRISUL. Assim sendo, a AÇÃO POPULAR protocolada deve ser vista como uma MEDIDA CONTRA O GOVERNO e a FAVOR DOS GAÚCHOS, em defesa do patrimônio público.
APAIXONADOS
Como o Banrisul é uma cega PAIXÃO GAÚCHA, quem se dispõe a falar em PRIVATIZAÇÃO vai encontrar uma brutal resistência de parte dos APAIXONADOS. O problema é que, sufocados pelo forte sentimento de AMOR INTENSO não perceberam o quanto o povo gaúcho está sendo PREJUDICADO com a pretensa VENDA DAS AÇÕES QUE EXCEDEM O CONTROLE ACIONÁRIO DO BANRISUL.
MAIS DO MESMO
Pois, para contribuir no sentido de uma melhor e devida compreensão da AÇÃO POPULAR protocolada pelo Mateus Bandeira, publico a seguir o artigo do pensador, com o título - BANRISUL E O GOVERNO GAÚCHO: MAIS DO MESMO-:
- Entre os defeitos de um político, três eu considero muito graves: desprezar o patrimônio público, agir pensando apenas no curto prazo e descumprir promessas de campanha.
Pois, em menos de seis meses de mandato, é assim que está agindo o nosso governador do Rio Grande do Sul. Em síntese, ele quer:
1- vender ações do Banrisul a toque de caixa e abaixo do seu valor econômico;
2- utilizar o valor obtido para pagar despesas de custeio e salários, pensando apenas no seus mandato; e
3- fazer o oposto do que disse durante a campanha.
Vamos aos fatos.
DESPESAS DE CUSTEIO
Quando o eleitorado gaúcho elegeu o atual mandatário indicou que queria mudanças na condução política e administrativa do Piratini. Caso contrário, teria reeleito o antigo governador.
Pelos sinais emitidos até aqui, lamento informar, vamos continuar com mais do mesmo. A anunciada intenção de venda de ações do Banrisul, nosso único ativo que ainda tem valor substancial, é mostra disto.
Antes que me critiquem pela suposta incoerência entre a defesa das privatizações e a crítica à venda de ações do Banrisul, me antecipo: - Sempre defendi, com convicção, a privatização. Porque não é função do Estado gerir bancos ou ser empresário, mas também porque a venda do Banrisul permitiria nossa adesão certa ao REGIME DE RECUPERAÇÃO FISCAL, sem mais protelação.
Mas privatizar e vender parte das ações não é a mesma coisa. E é aí que está o busílis.
O atual governador, em campanha, defendeu que não venderia o Banrisul. Mais que isso, criticou duramente a venda de participação acionária do Estado no banco, realizada pelo seu antecessor. “O senhor (Sartori) queimou o futuro do RS quando vendeu parte do banco e usou o dinheiro no custeio da máquina”, disparou o candidato Eduardo Leite em debate eleitoral.
O governador atual, recentemente, comunicou que fará aquilo que criticou em Sartori. Aliás, já o fez: vendeu cerca de 2 MILHÕES DE AÇÕES no dia 08 de abril p.p., por cerca de R$ 48 milhões, para pagar DESPESAS DE CUSTEIO, sem prévio aviso e sem seguir os ritos da Lei 10.607/95.
Dessa vez, no entanto, promete rapar o tacho: vai vender o que sobrou de ações vendáveis (o Governo é obrigado a preservar o controle acionário, por força do dispositivo constitucional que ainda exige plebiscito para privatizar o Banrisul), para, mais uma vez, gastar com despesas correntes.
Uma demonstração de incoerência e de estelionato eleitoral. Mas esta deslealdade com seus eleitores é problema dele com seus eleitores.
PREJUÍZO IRREPARÁVEL
Já o problema de todos nós, gaúchos, é o prejuízo irreparável ao erário público (portanto, de todos os gaúchos): abrir mão de metade dos dividendos daqui pra frente (só em 2018 foram cerca de R$ 300 milhões para o Estado) ao vender as ações por algo próximo de seu valor patrimonial, enquanto o real valor dessas ações possivelmente seria o dobro da cotação em bolsa, se negociadas com seu prêmio de controle.
O governador, porém, parece estar preocupado apenas com o seu mandato. Vender pedaços do Banrisul, como antes, equivale a vender os móveis da casa para comprar comida e pagar as contas de água e luz. Um dia a casa fica vazia. Mas as despesas de custeio permanecem.
Para além da analogia, há bons argumentos para não vender pedaços do banco. Listo sumariamente os mais importantes.
PRIMEIRO - Consequência de alienações anteriores (no governo Sartori e agora, com Leite), o Estado tem cada vez menos do que se desfazer em termos de participação acionária no Banrisul, enquanto as despesas correntes do Governo são permanentes e crescentes.
Vender outro naco do Banrisul e manter o controle acionário, no entanto, é perder uma parcela da fonte permanente de recursos, em troca de uma receita finita e depreciada. Em 2018, em dois leilões, o Governo arrecadou R$ 537 milhões, quer serviu para pagar menos da metade da folha mensal de salários.
No mesmo ano, porém, recebeu cerca de R$ 300 milhões entre dividendos e JCP. Ou seja, o valor das ações vendidas representou menos de dois anos de repasses do banco aos cofres do erário estadual.
Ou seja, quanto menos ações o Governo detiver, menos dividendos serão repassados, pois as ações vendidas, por óbvio, não vão gerar mais receita para o Governo gaúcho. E não haverá mais móveis para vender.
SEGUNDO - Vender sem abrir mão do controle acionário desvaloriza o preço das ações, é queimar patrimônio público.
Basta comparar o valor pago em relação ao patrimônio de bancos estaduais privatizados. Exemplos: Banespa (4,98x), Beg (3,32x), Bemge (2,16x). Já o Banrisul sob Sartori, 1.05x, e sob Leite, 1.33x. No governo Yeda, a venda de ações na abertura de capital ao mercado rendeu 2,2x o valor patrimonial, praticamente o dobro.
TERCEIRO - Ao vender ações e permanecer no limite do controle acionário, inviabiliza-se uma futura capitalização do Banrisul, já que uma nova emissão primária (novas ações) que seria subscrita por outros acionistas diluiria automaticamente a posição do Estado, com a consequente perda do controle – o que está vedado pela Constituição Estadual. O Banrisul, portanto, poderia sofrer com sérios obstáculos na expansão de sua carteira de crédito.
MENOS DO MESMO
Como cidadão que conhece o Banrisul – porque já fui seu presidente e vice-presidente do Conselho de Administração – ingressei com AÇÃO POPULAR, pedindo a suspensão dessa iniciativa que só atende aos interesses do governo de plantão. Solicitei que o Banrisul seja obrigado a cumprir os passos previstos na legislação estadual – Lei 10.607/95, que prevê transparência, avaliação prévia independente do ativo e publicação de edital com fixação de preço mínimo.
E por que o governo gaúcho não desejava dar transparência para esse ato? Porque sabe que é um péssimo negócio para o erário público, e assim planejava realizar essa alienação na ”surdina”, exatamente como promoveu a venda anterior.
Infelizmente, pois sofrem todos os gaúchos, este episódio evidencia que o atual ocupante do Piratini é mais do mesmo. Ou melhor, é menos do mesmo.