FRACASSOS
Os leitores que tem por hábito ler o Ponto Crítico, certamente já perderam a conta do número de editoriais que escrevi ao longo desses últimos anos, criticando as atitudes tomadas pelos governos Lula/Dilma.PESSIMISMO
Entretanto, até hoje nenhum leitor foi surpreendido ou enganado por não ter sido informado das razões de que as decisões ruins só poderiam resultar em fracassos, como, infelizmente, estamos assistindo. Se todos lamentam os maus resultados, ao menos não podem me acusar de ser um indesejável pessimista sem causa.MEDIDAS EQUIVOCADAS
Nas questões econômicas, por exemplo, o governo vive dando mostras do quanto adora tomar decisões equivocadas. Insiste, de forma incrível, com medidas CONJUNTURAIS, cujo efeito, como se sabe, é de curtíssimo prazo, e deixa de lado, ou para trás, o necessário, o correto e o determinante, que representam as medidas ESTRUTURAIS.SEM QUIROMANCIA
Ora, na economia também se colhe aquilo que é plantado. Portanto, o resultado da safra do segundo trimestre de 2012 não poderia ser outro: um crescimento pífio, de 0,4%, do PIB. O suficiente, aliás, para o Brasil ocupar o último lugar entre os países do BRICS (incluída, portanto, a África do Sul, que cresceu 3,2%). Tudo, como os leitores sabem muito bem, foi cantado aqui. Bem antes do tempo, com um detalhe: sem fazer uso da quiromancia.TRISTE REALIDADE
Na comparação com os países latinos que não comungam da ideologia bolivariana (que infelizmente é o pensamento dominante no continente), como é o caso do Chile, México, Peru e Colômbia, o nosso desempenho é simplesmente sofrível. Até o EUA, que estão mergulhados na crise, deve fechar 2012 com desempenho muito acima do nosso. É duro, não? Pois é, gente, esta é a nossa triste realidade.FIASCO
Como o leitor já percebeu, até aqui nada do que escrevi é novidade. Nem me portei como pessimista por prever os resultados, que os noticiários não param de estampar. O que ainda não foi dito, mas deve ser entendido, é que este prolongado ou interminável fiasco, só não foi pior porque o governo reduziu o IPI para os automóveis.ÓLEO MILAGROSO
O que mais contribui para o fiasco é que até agora a redução do IPI e a redução da taxa Selic não conseguiram fazer a economia reagir. Nada mais lógico: o governo só mexe nas consequências, deixando intocáveis as causas.Com isso, os motores que movem a nossa economia se encontram tomados por teias de aranhas. Para fazer a máquina andar é preciso engraxar as engrenagens com o milagroso óleo lubrificante, representado pela mistura de dois importantes aditivos PREMIUM: investimento e educação. Que tal?EXCEDEU A TOLERÂNCIA
Ontem, quando o presidente do STF encerrou, com o seu voto, o primeiro capítulo do julgamento do Mensalão, fiquei com a impressão de que, desta vez, o grau dos crimes praticados pelos réus por ora condenados foi de tal ordem, que conseguiu exceder o nível de tolerância da maioria dos ministros do STF.OS DOIS QUE DESTOARAM
Os únicos que destoaram, como se viu, foram os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que optaram pela absolvição dos réus petistas. Se a decisão de ambos não surpreende, ao menos enoja. Muito. Mostraram que ao invés de julgar, preferiram se solidarizar com seus colegas e amigos petistas. Entretanto, ao absolvê-los deixaram claro que os roubos e desvios do dinheiro público devem continuar impunes e com valores cada vez mais altos.NO BANCO DOS RÉUS
Aliás, a decisão tomada por ambos, diante de roubos absolutamente incontestáveis, sugere que, ao invés de ficarem sentados à mesa, junto com os demais ministros julgadores, o lugar que deveriam ocupar seria, junto com os amigos, no banco dos réus. Ficaria mais adequado, não?DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE DO STF
Como o povo não consegue acompanhar a maioria das manobras do governo, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, ao proferir o voto final desta primeira fase do processo de julgamento, fez a seguinte declaração, que deixou muita gente perplexa: - Um projeto de lei foi alterado propositalmente com o propósito de influenciar o julgamento do mensalão e beneficiar alguns dos réus.TEXTO SINISTRO
O texto do projeto, como revela o jornal Folha de São Paulo de hoje, trata da contratação de publicidade por órgãos públicos. Só que, durante a sua tramitação na Câmara, o projeto foi alterado de forma safada e sinistra por deputados do PT e do PR, partidos que têm membros entre os réus. Pode?REDAÇÃO MAQUINADA
Ayres Britto, com uma calma incrível porém severa, disse, alto e bom som, que a redação da lei foi INTENCIONALMENTE MAQUINADA para legitimar ação pela qual os réus eram acusados. O episódio citado, para quem não sabe, começou em 2008, quando o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que naquela época ocupava o cargo de deputado federal pelo PT (obviamente), apresentou o projeto sinistro.ATENTADO À CONSTITUIÇÃO
Para o presidente o STF, assim como para todos nós, que até agora não tínhamos esta clara informação trágica, a manobra é um ATENTADO VEEMENTE, DESCABIDO E ESCANCARADO à Constituição. A declaração, insisto, refere-se à lei 12.232, SANCIONADA pelo então presidente Lula, em 2010. Aquele mesmo, gente, que vive repetindo duas pérolas: 1- que o Mensalão não existiu; e, 2- que não saiba de nada. Este é o Cara que o povo brasileiro admira. Pode? Vamos, pois, ao SEGUNDO ATO.ESPERANÇA
Quem lê diariamente o Ponto Crítico já percebeu que as minhas esperanças de ver um Brasil mais justo, mais aberto, mais eficiente e realmente competitivo, vem se esvaindo dia após dia.NÃO É IMAGINAÇÃO
Aqueles que leem com alguma atenção os editoriais publicados aqui, diariamente, já devem ter percebido que este sentimento de desesperança não é fruto da minha imaginação.FUNDAMENTOS
Até os menos atentos sabem, perfeitamente, que as minhas críticas e/ou opiniões jamais deixaram de ser fundamentadas e esclarecidas. Tudo que escrevo decorre, exclusivamente, da minha lógica de raciocínio, que se iguala a minha forma de agir.ALEGRIA
Pois, ontem, para minha alegria (não sei por quanto tempo), os ministros Cezar Peluso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello, do STF, através de seus votos e justificativas, me deram um grande sopro de esperança.A VOLTA DA ESPERANÇA
A cada palavra proferida pelo ministro Cezar Peluso, a minha esperança se renovava. Foi, indiscutivelmente, uma verdadeira aula de conhecimento, de ética, de comportamento e principalmente de justiça. Coisa, aliás, que havia deixado de existir no Brasil, principalmente depois que Lula subiu a rampa do Planalto.PERDA IRREPARÁVEL
Mesmo com o destaque que merecem os demais ministros que se apresentaram ontem, a despedida do ministro Cezar Peluso foi o ponto alto do dia, neste julgamento do Mensalão. Uma pena que alguém com tamanha envergadura seja obrigado, por força da Constituição, a deixar a Suprema Corte. Uma perda irreparável neste momento.MINISTROS CONDENADOS
Quando a alegria toma conta não é hora para olhar e se preocupar com coisas tristes. Entretanto, por dever de ofício e, principalmente, de consciência, não posso deixar de me referir aos dois ministros-petistas que votaram pela absolvição dos réus partidários. Fiquei pra lá de convencido de que os ministros que votaram ontem estavam condenando muito mais o Toffoli e o Lewandowski do que os próprios réus do processo.RECEIO
Diante da forte repercussão do editorial de segunda-feira volto ao tema, que trata dos investimentos no Brasil. Tomando por base o reconhecido e incontestável desprezo que os nossos governantes mostram pela EDUCAÇÃO, muitos investidores estão se mostrando receosos com o Brasil. Além disso, entretanto, há outras preocupações. Por exemplo:INGREDIENTES
1- Atitudes de cunho fortemente nacionalista e intervencionista; 2- Assistencialismo absurdo; 3- Passividade total com a corrupção; 4-Forte compromisso com o novo Mercosul e/ou Unasul, instituições cujos países membros, além do Brasil, não negam a preferência pelo socialismo. Como é o caso da Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba, etc.PRATO CHEIO
Só por aí, como se vê, o prato já fica repleto de razões para colocar, 1- os novos investidores receosos e bem longe daqui; e, 2- os mais antigos, com enorme arrependimento de um dia ter investido aqui.CANTO DA SEREIA
Muitos investidores, aconselhados e/ou forçados a adotar a velha e surrada fórmula constrangedora do comportamento POLITICAMENTE CORRETO, só falam à boca pequena. Cheios de receio, para não transparecer publicamente, admitem que agiram de forma ingênua, se deixando levar pelos cantos de sereias.DOIS RECADOS
Hoje, com os pés mais no chão e com os olhos e ouvidos fixados nas atitudes agressivas e criminosas de grande parte dos servidores federais em greve, os investidores interpretam que com isso o governo está dando dois recados importantes ao mundo todo: 1- aqui, o poder está, definitivamente, nas mãos dos sindicatos; 2- aqui, qualquer investidor só é bem-vindo se estiver em linha com o atraso.SEM VOCAÇÃO PARA O CRESCIMENTO
É lógico que nem todos estão se dando mal por aqui, embora esta seja a vontade do governo. Uma grande parte, porém, não está nem um pouco satisfeita. Inclusive Jim O?Neill, que através de estudos mais recentes já esclarece que o Brasil não tem vocação para crescimento continuado.AMANTES DO SOCIALISMO
Esta de querer concorrer com países interessados no desenvolvimento, ou já razoavelmente desenvolvidos, não é do interesse dos nossos governantes. Tudo por razões puramente ideológicas. Queremos, como já ficou provado através do esforço despendido para colocar a Venezuela no Mercosul, ter por perto somente os amantes do socialismo. Afinal, um país que enxerga e adota a galinha como símbolo do desenvolvimento, só consegue crescer aos pulos. Através de voos curtos e rasantes.VOTO ESPERADO
Nenhum ser vivo, não importa se animal, vegetal ou mineral do nosso planeta, viu como algo surpreendente o voto do ministro Dias Toffoli, que se declarou pela absolvição do primeiro petista julgado, João Paulo Cunha.JULGADOR SEM ÉTICA
Mesmo sabendo que Dias Toffoli votaria, e continuará votando, desta forma, pela absolvição de todos os petistas envolvidos neste que é considerado o maior escândalo de desvio de dinheiro público do país, muita gente ficou na frente da televisão mais para ver a cara e os argumentos do julgador sem ética.CONSTRANGIMENTO
Pois, tão logo Dias Toffoli deu início a sua apreciação altamente comprometida em favor do primeiro réu petista, algumas câmeras de televisão flagraram as fisionomias de vários ministros, que não escondiam a decepção e o constrangimento de ter, no STF, um colega com tamanha falta de ética.DUPLA MISSÃO
Como também fiz questão de ouvir o péssimo julgador, bastou assistir um minuto de blá, blá, blá, para saber que Dias Toffoli sequer leu os autos. Só estava ali para cumprir uma dupla missão: defender e absolver todos os petistas envolvidos no Mensalão.BATEDOR DE PÊNALTIS
Uma coisa é preciso admitir: Dias Toffoli foi autêntico, fiel e cumpridor de suas obrigações. Não deixou a mínima dúvida de que foi escalado pelo estratégico ex-presidente Lula para ser um dos batedores de pênaltis a favor da seleção dos corruptos. Como já bateu, e converteu, a primeira penalidade, ou absolvição, Lula deve estar feliz. Escolheu certo. Toffoli se mostra um pupilo fiel, totalmente comprometido com a safada causa petista.FRASE DE FUX
Nada conseguiu tirar o foco da missão do julgador sem ética. Vejam que nem a frase: -todo desvio de dinheiro público representa uma criança a menos na escola e/ou um doente não atendido-, usada pelo ministro Fux quando proferia seu voto, conseguiu mexer com a consciência de Dias Toffoli.MISSÃO CUMPRIDA
O ministro/advogado, autêntico representante dos mensaleiros petistas, como ficou comprovado ontem, não quis saber, nem de criança fora da escola e muito menos de doente sem hospital. Estava ali para defender safados. Missão cumprida. Nota 10.VELHOS MOTIVOS
O Brasil, reconhecidamente, não é um país competitivo. As razões, que não são poucas, já são conhecidas e confirmadas por todos, independente de cor partidária ou ideológica. E, os principais motivos também são velhos: alta burocracia, a carga tributária super elevada, encargos trabalhistas absurdos e a falta absoluta de infraestrutura.BENEFICIADO POR TRAGÉDIAS
Pois, mesmo com baixíssima competitividade, alguns produtos brasileiros conseguem ser disputados no mercado internacional, notadamente os primários. Só que, na maioria das vezes, isto só acontece quando os concorrentes de peso são atingidos por alguma tragédia, geralmente climáticas. Ou seja: o nosso sucesso depende, muitas vezes, mais por insucesso alheio do que pela nossa competência. Pode?SECA NOS EUA
A última tragédia climática, por exemplo, é a seca que atinge os EUA, que contribuiu para uma escassez de soja e milho no mercado internacional. O que acabou por favorecer o Brasil, que ficou praticamente sozinho como produtor ofertante, a preços muito compensadores.CRISE DE CRÉDITO
Uma outra foi a crise de crédito, que estourou no mundo todo em 2008, atingindo de forma mais severa os países desenvolvidos. O Brasil, como se viu acabou colhendo benefícios, principalmente porque o nosso sistema financeiro se encontrava pouco ou nada alavancado.BRIC
Vale lembrar também, que pouco antes do estouro da Bolha de Crédito, o economista Jim O?Neill acabara de publicar importante estudo sobre os maiores países emergentes do planeta. Nascia ali o BRIC, onde Brasil, Rússia, Índia e China passaram a chamar muita atenção de investidores do mundo todo. Como se vê, as nossas melhores oportunidades internacionais recentes aconteceram muito mais por questões ligadas a sorte do que por competência.SINAL DE DESÂNIMO
Pois, passados alguns anos, já se vê investidores desanimados. Inicialmente, respaldados pelos estudos de Jim ONeill, chegaram a acreditar que o Brasil estava preparado, e suficiente maduro, para fazer parte do seleto grupo de países de primeiro mundo. Com o passar dos anos perceberam que, por vontade do governo, o CAPITALISMO não serve para o Brasil.PROCESSAR JIM ONEILL
Para chegar a esta conclusão, de que a vontade do governo é manter o Brasil na escuridão, não é preciso ir muito fundo. As respostas estão aí, na superfície, bem claras. É inegável o esforço que os governos Lula/Dilma, fazem, atuando em duas frentes, porém opostas:1- por um lado, omissão total naquilo que pode, realmente, melhorar a nossa competitividade;2- por outro, aí com intensidade dobrada, o governo toma medidas comprovadamente fracassadas.O curioso nisso tudo é que os governantes contam com a aprovação de inúmeros empresários, o que prova que vivemos no mais puro MERCANTILISMO. Já ouvi boatos de que alguns investidores estão dispostos a processar Jim O?Neill por propaganda enganosa e/ou estudos equivocados. Não aceitam que o economista, por tudo que representa, tenha se enganado tanto. Sugerem, inclusive, que o mesmo recebeu alguma bola para destacar o Brasil como boa alternativa para fazer negócios.Que tal?