Artigos

07 dez 2011

A EUROPA E O BRASIL DE 1994


PARECIDO COM O BRASIL

A atual situação de enorme desconfiança e/ou insolvência que atinge vários países da Europa, de certo modo é muito semelhante à situação vivida pelo Brasil, no período 1994/1999, como sugere o economista Pérsio Arida.

REFORMA MACROECONÔMICA

Naquele momento de crise, o governo brasileiro se viu obrigado a fazer a importante reforma macroeconômica (única até hoje), que resultou, entre várias providências, na negociação das dívidas dos Estados, na aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e na recuperação do Sistema Financeiro, com o PROER e o PROES.

TRATADO

O que a Alemanha está propondo, para os 27 países que compõem a União Europeia, é algo parecido. Até porque ninguém espera que o Banco Central Europeu venha a ajudar, de fato, os países em dificuldade sem exigir que todos eles assinem um compromisso (Tratado) de ajuste fiscal, não é mesmo?

MAIS COMPLICADO

O problema, como se tem lembrança, é que por ter sido difícil o fechamento do acordo com todos os Estados, na Europa a complicação promete ser ainda maior. Principalmente, porque a aprovação depende da vontade de cada país-membro.

ACRÉSCIMO

Ontem, quando escrevi a respeito da semelhança do Brasil de hoje com o American Dream americano, de 70 anos atrás, o economista Marco Túlio Kalil enviou uma mensagem de acréscimo às minhas palavras. Eis:Enquanto, nos EUA, as várias décadas do -American Dreams- foram sustentadas pelo espírito do SELF MADE MAN, de incentivo ao mérito e ao esforço pessoal, com educação, capacitação profissional, inovações tecnológicas, a versão brasileira está mais para -Tupiniquim Dreams-, calcada no assistencialismo, no paternalismo do crédito direcionado, que favorece os bancos estatais e o inevitável inchaço do Estado.

RESTA SABER...

Marco Túlio ainda arremata: - Resta saber o que será feito logo adiante, quando o modelo de obsessão pró-mercado doméstico, turbinado pelo boom de oferta de crédito derivado da entrada de -Smart Money- proporcionado pelos nefastos ganhos de arbitragem juros/câmbio, bater nas restrições de renda/endividamento/inadimplência.

BOLSA INADIMPLÊNCIA

Considerando os alertas acima, tudo leva a crer que o governo acabará criando a BOLSA INADIMPLÊNCIA, como já fez no passado. Aliás os vários esqueletos que foram tirados dos armários conta muito bem esta triste e macabra história...

Leia mais

06 dez 2011

BRASIL 2012


PERSPECTIVAS

Conforme prometido vamos às previsões e/ou perspectivas para a economia do Brasil para 2012. Antes de tudo, porém, é importante destacar que, em caso de crescimento, a economia já está condenada a um limite baixo. Tudo porque as taxas, tanto de INVESTIMENTO quanto de POUPANÇA (sobre o PIB), continuam insuficientes.

INVESTIMENTO E POUPANÇA

Tomando por base o último trimestre de 2011, a nossa Taxa de Investimento/PIB atingiu míseros 17,8%. Segundo o IBGE, o resultado é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, que havia sido 18,2%.Já a Taxa de Poupança, que mede a proporção entre a poupança bruta e o PIB, ficou em torno de 18,1%. O que não merece aplausos, pois não garante bom desempenho econômico.

AQUÉM DO NECESSÁRIO

Ora, diante deste dado absolutamente incontestável, o fato é que a nossa taxa de investimento, além de estar muito aquém do necessário para garantir um crescimento de 5,5%, ainda está entre as mais baixas entre os países emergentes.

EFEITO COMPARATIVO

Vejam que entre 20 países, considerados emergentes, analisados pela Bolsa S&P, o Brasil ficou entre os três que menos investem (na frente apenas de Egito e Filipinas). Enquanto o Brasil patina e é condenado a crescer pouco, países latino-americanos como Peru, Chile e Colômbia, por exemplo, têm mostrado taxas de investimento próximas a 25% do PIB.

CHINA E ÍNDIA

Bem, se comparadas com China e Índia, que compõem o bloco dos países que formam o BRICS, aí a situação do Brasil fica ainda mais dramática. Vejam que, em 2010, a taxa de investimento da China chegou a 47% do PIB e a da Índia em torno de 32%.

BOAS APOSTAS

Ainda assim, nas PRIMEIRAS projeções até agora apresentadas, os economistas ouvidos fazem boas apostas para o Brasil. Não porque estamos nos esforçando para que as coisas de fato melhorem, mas porque os países desenvolvidos pioraram.

AMERICAN DREAM?

Entre as principais razões para a expectativa de um desempenho positivo para 2012, algumas delas dão conta de que, no Brasil atual, há um certo equilíbrio fiscal, a inflação é baixa, o sistema financeiro é forte, o mercado de capitais, idem, e o setor privado é robusto. Além disso, o país dá a impressão de que passa por uma transformação estrutural, algo parecido com o -American Dream-, de 70 anos atrás, onde a classe média americana foi a grande responsável pela transformação. Entretanto, o problema maior, que ninguém desconhece e o governo não resolve, está no impressionante e sufocante Custo-Brasil. Observem que os produtos importados, mesmo depois de onerados pela fantástica carga tributária que assola a produção nacional, continuam bem mais em conta do que os nossos. Ou seja, o peso dos encargos sociais mais a brutal burocracia fazem a diferença. E, neste aspecto, nada vai mudar.Aliás, o que explica, claramente, esta fantástica devoção para o MERCADO INTERNO. Mesmo que tenhamos exportações (as principais são commodities), o mercado interno sempre falou mais alto.

Leia mais

05 dez 2011

PERSPECTIVAS INICIAIS


IGNORÂNCIA ECONÔMICA

Há momentos que é preciso contato direto, real, com o fundo do poço para que muita gente perceba o tamanho da ignorância econômica que existe no mundo todo. Pois, esta preocupante escuridão, que impede a visão e a compreensão do preço de cada pretenso benefício (relação causa/efeito) oferecido pelos governantes populistas, é o que provoca a forte resistência aos remédios que ainda podem evitar falência de inúmeros países.

EDUCAÇÃO

Ora, se a atual crise mundial está mostrando esta reação nos países onde a educação é a melhor qualidade, onde esse índice é mais baixo, como é nosso caso, aí o problema ganha contornos muito mais preocupantes.

CAOS MAIOR

Vejam que em certos países falidos, muita gente prefere que o caos seja ainda maior. Como o povo está indo às ruas para protestar contra a redução dos gastos públicos, esta atitude sugere que independente do tamanho das despesas, os recursos públicos jamais se esgotam.

O QUE É INCONTESTÁVEL

Pois, ainda que convencido de que pouco ou nada adianta ficar explicando ou fazendo projeções sobre a economia nacional e internacional, não desisto. Para tanto começo por uma constatação incontestável: 1- Em 2011 o mundo cresceu menos do que em 2010. 2- Em 2012, como a desaceleração será ainda maior, já se sabe que não será melhor do que 2011.

POR ENQUANTO

Fazendo uma análise daqueles países de maior impacto econômico para o Brasil, como é o caso da China, EUA e Comunidade Europeia, mesmo com a visão bastante prejudicada pela forte neblina e/ou tempestade econômica mundial, por enquanto a maioria dos economistas que ouvi arrisca o seguinte palpite:

CHINA

Se todos vão crescer menos, a China não tem como não desacelerar. Além disso já acumula alguns desequilíbrios, sofre pressão inflacionária e a mão de obra barata está começando a desaparecer. Percebendo as dificuldades o governo chinês já começa a mexer na política monetária. Mesmo assim, por não se tratar de um movimento súbito, o impacto parece não ser muito sério neste momento.

EUA E EUROPA

Nos EUA, mesmo que o desempenho da economia não seja brilhante, a realidade mostra que as coisas estão melhorando. Afinal, crescer 1,7% dentro deste quadro mundial complicado é pra lá de razoável. A crise americana, portanto, é muito mais política. Há uma evidente e indisfarçável crise de liderança. De ambos os lados. Caso a bandeira do entendimento seja hasteada, tudo pode melhorar por lá e fora de lá. EUROPA - Já na Europa a encrenca, embora muito séria, dependendo do esforço até agora demonstrado pelos líderes dos países que compõem, principalmente, a Zona do Euro, parece se aproximar de uma solução. Isto significa que pode ser, tanto para um bom e necessário ajuste fiscal, como para o caos total. A conferir. Sobre o Brasil deixo para amanhã.

Leia mais

02 dez 2011

DEZEMBRO AGITADO


CURIOSIDADE MAIOR

Se as pessoas em geral, tradicionalmente, já se mostram bem mais agitadas e ansiosas com as festas de final de ano, desta vez a curiosidade parece ir muito além do presente que cada um espera receber na noite de Natal.

OLHANDO 2012

Diante da fantástica turbulência que atinge as economias de países industrializados, o que todos gostariam de saber, de fato, é o que vai acontecer em 2012. Esta curiosidade é igual, tanto para quem vive em países de primeiro mundo quanto nos emergentes, certamente.

BOLAS DE CRISTAL

Para tentar satisfazer esta enorme curiosidade, já na largada de dezembro várias entidades começaram a colocar suas bolas de cristal nas mesas, antecipando as apresentações, tanto dos Balanços de 2011 quanto das Perspectivas da Economia para 2012.

ONTEM E HOJE

Ontem, por exemplo, os dirigentes do Banco Pactual reuniram seus clientes do RS para dizer como vêem a Europa, os EUA, a China e o Brasil neste momento e o que esperam para o próximo ano. Hoje pela manhã, com o mesmo propósito, coube a LIDE (Lideranças Empresariais) reunir o seu público.

OTIMISMO COM O BRASIL

Enquanto aguardo as apresentações da Fiergs (12/12), da Fecomércio (14/12), da Farsul (15/12) e da Federasul (19/12), dou uma pista: os economistas que ouvi nesses dois dias estão otimistas com o Brasil.

EUROPA, EUA, CHINA E BRASIL

Ambos, no entanto, reconhecem: 1- as sérias dificuldades existentes na Europa; 2- enxergam melhor possibilidade para os EUA; 3- não vêem a China com maior preocupação; e, 4- apostam muitas fichas na nossa economia. Principalmente porque 80% das nossas atividades estão voltadas para o mercado interno.

FALTA A SINCERIDADE

Ao longo dos próximos dias comento as coisas que foram e serão ditas. Percebo, desde já, que cada apresentação tem o velho compromisso com o POLITICAMENTE CORRETO, ou seja, peca pela falta de sinceridade ou convencimento. Isto acontece para que as platéias não fiquem ainda mais apreensivas e/ou apavoradas. Lembro que muitos leitores consideraram as minhas previsões, que apontavam claramente para este estado complicado que estamos assistindo, como catastróficas e cheias de pessimismo. Pois é. Dizer coisas ruins faz do apresentador um ser detestável. Mesmo que esteja coberto de razão.

Leia mais

01 dez 2011

ONDE ESTÁ A LIBERDADE?


TABELAMENTO DE PREÇOS

Entre tantas coisas que não tenho a mínima dúvida, uma delas é que todos aqueles que vivem clamando por liberdade, e pregam isto aos gritos na frente das câmeras e microfones, não sabem que a definição das taxas de juros pelo Banco Central não passa de um tabelamento de preço.

IGNORÂNCIA ECONÔMICA

Isto significa que, graças ao fantástico grau de ignorância econômica de 99,99% dos brasileiros, nenhuma viva alma (nem empresários e tampouco a mídia) fará qualquer crítica quanto à falta de liberdade demonstrada com decisão unânime dos membros do COPOM, ao reduzir, ontem, a taxa SELIC em meio ponto percentual.

PLANEJAMENTO CENTRALIZADO

Em síntese, o que representou a decisão do COPOM, ou do Banco Central, como queiram, foi, mais uma vez, a repetição da velha atitude típica de um planejamento econômico centralizado. Simples assim.

OFERTA/DEMANDA

Como tenho compromisso diário com a liberdade, mesmo sabendo que a minha postura nem sempre satisfaz alguns leitores do Ponto Crítico, insisto: assim como só o mercado é capaz de formar os preços dos bens e serviços, pelo efeito OFERTA/DEMANDA, a moeda NÃO deve ser tabelada pelo governo.

RON PAUL

Parafraseando o liberal americano Ron Paul, que foi candidato a presidência dos EUA, MANIPULAR A OFERTA DE MOEDA E DE TAXAS DE JUROS contraria todos os princípios do livre mercado.

ORIGEM DA CRISE MUNDIAL

Aliás, para quem não sabe nem procurou saber o que realmente provocou a crise financeira mundial, a razão é uma só: FALTOU LIBERDADE PARA O MERCADO. O Federal Reserve, ao invés de deixar o mercado agir, tratou de inflacionar a moeda criando mais dinheiro e crédito do nada, em segredo, sem vigilância ou supervisão. Com isso facilitou os déficits e os gastos excessivos.

POBRES ENGANADOS

Os pobres americanos foram enganados quando acreditaram que o governo, por meio da força, poderia lhes dar uma casa mesmo que não tivessem economizado nem um centavo. Isto, simplesmente, não deu certo. O estouro da bolha imobiliária que depois de três anos ainda não mostrou o estrago total da encrenca, já provou que o farto dinheiro emprestado fez os proprietários de imóveis viver muito acima das suas condições financeiras. A dívida impagável assumida pelos governos americano e europeus é fruto do crédito excessivo e sem critérios.

Leia mais

30 nov 2011

A RODA E A JUSTIÇA BRASILEIRA


RODA JÁ FOI INVENTADA

A partir do momento em que a roda foi inventada, por óbvio o que todo mundo fez foi copiar o invento. Sem precisar alterar a forma, os fabricantes de qualquer produto que exija movimentação passaram a se preocupar somente com o peso e o tamanho do rodado. Simples assim.

JUSTIÇA AMERICANA

Pois, em matéria de Justiça, que poderia e deveria adotar o mesmo princípio da roda, infelizmente não é assim que acontece. Vejam, por exemplo, como a Justiça americana decidiu quanto ao procedimento do médico pessoal de Michael Jackson, doutor Conrad Murray: condenou o réu a quatro anos de prisão.

MENTIRA PESOU MAIS

É importante observar, em primeiro lugar, que Michael Jackson morreu em 2009 e a sentença foi definida ontem. Dois anos após, gente. Em segundo lugar, o que mais pesou na condenação, coisa que não está sendo divulgada, é o fato de Murray ter mentido.

NO BRASIL...

Insisto: por ter mentido, Murray pegou quatro anos de prisão. Ora, se esta simples RODA fosse copiada pela nossa triste Justiça fico imaginando o número de anos de prisão que pegariam, por exemplo, os ministros e políticos envolvidos nos escabrosos casos de corrupção.

PRISÃO PERPÉTUA

Pois, sem medo de errar, creio que todos aqueles que têm algum discernimento arriscariam um palpite: pelo tamanho do desvio de dinheiro público; pela não devolução dos roubos; e, pelas mentiras esfarrapadas que dizem a todo momento, esses facínoras deveriam ser condenados, no mínimo, à prisão perpétua.

IMPUNIDADE E LENTIDÃO

É lógico que erros sempre acontecem. Entretanto precisamos nos concentrar nos acertos. Para obter o melhor de um país que se diz democrático a Justiça precisa ser ÁGIL e pronta para IMPEDIR A IMPUNIDADE. No Brasil, lamentavelmente, além de uma Justiça lenta, a impunidade corrre solta. Isto, aqui entre nós e o mundo, não é democracia.

OS EMPRESÁRIOS E OS JUROS

A manifestação da FIESP, ao criar o JURÔMETRO, foi de cabo de esquadra. Os líderes empresariais mostraram, simplesmente, o quanto desconhecem a economia. Ao invés de esclarecer que o governo não paga juros porque rola a dívida com emissão de novos títulos, usam o relógio para dizer, erradamente, que o governo desembolsa a quantia ali informada. Mais: antes de consultar os economistas que prestam serviço à entidade, saíram dizendo, ontem, que os juros simplesmente precisam cair. E as reformas, que são a causa dos juros, gente?

Leia mais